Pombas não voam mais.

Digo isso porque lembro que elas voavam. Num bater de palmas decolavam
assustadas. Olhou torto, voou. Cadê a pomba que estava aqui?
Eram ligeiras, urgentes, escorregadias aos olhos.
Agora não. Mendigam migalhas por entre pés humanos em qualquer
mesa-de-calçada. E às vezes até mesmo fora da calçada. Se os pés se
movem em direção a elas, pulam. Duas, três asadas no máximo. Inaptas e
tortas.
Atravessam a rua caminhando. Eu buzino, elas apertam o passo; o motor
se aproxima, elas correm assustadas. E não voam.
Ratos com asas? Não. Galinhas urbanas. Atrofiadas e transeuntes.
Pedestres.
Ilustração por Felipe Corsini e texto por Tiago P. S.
Eba!!!
Quero mais. ;P
Comentário por Valquiria — janeiro 5, 2010 @ 7:12 pm |
Maravilha!
Todo mês voltava aqui na esperança de algo novo…
Comentário por bibi — janeiro 5, 2010 @ 8:20 pm |
Olá.
Me chamo Jonas e não tenho amigos.
Vi uma evolução bonita desde 2007. Existe. Gostei.
Um abraço.
Seu amigo Jonas
Comentário por Jonas — janeiro 6, 2010 @ 8:59 pm |